CRITICAL ZONES

23.05.2020.–09.01.2022, ZKM Atrium 1+2

CRITICAL ZONES. Observatories for Earthly Politics. Abertura Virtual: Sexta-feira, 22.05.2020, 18:00


Durante muito tempo as reações da Terra às nossas ações humanas passaram despercebidas, e agora - em grande parte devido aos recentes protestos internacionais sobre o clima - passaram à consciência pública.

O projeto de exposição ZONAS CRÍTICAS convida os visitantes do ZKM | Centro de Arte e Mídia a se envolverem com a situação crítica da Terra de uma forma inovadora e diversa e a explorarem novos modos de coexistência entre todas as formas de vida. O projeto artístico CINÉ-CIPÓ / CINE LIANA at ATTO Tower (2020), de Barbara Marcel, integra a exposição com uma vídeo-instalação que mostra a produção e troca de diferentes tipos de conhecimento – o conhecimento científico da comunidade científica internacional, bem como o conhecimento tradicional de povos que habitam a floresta amazônica. Clique aqui para mais informações sobre o projeto.

Como um projeto de pesquisa e exposição, ZONAS CRÍTICAS explora a urgência de reunir habilidades, conhecimentos, disciplinas e culturas para criar conjuntamente uma cartografia da multitude da Terra. A exposição simula em pequena escala o modelo de uma nova espacialidade da Terra e a diversidade das relações entre as formas de vida que a habitam. Cria uma paisagem que faz o público entender as características do chamado "Novo Regime Climático", um termo cunhado por Bruno Latour para descrever a situação global que afeta todos os seres vivos. Não se limitando às crises ecológicas, o termo também inclui questões de política e história cultural, assim como mudanças éticas e epistemológicas de perspectiva. Como um observatório de "Zonas Críticas", a exposição tem como objetivo orientar um debate em direção a uma nova política terrestre. Esta combinação especial de experimento mental e exposição foi desenvolvida por Peter Weibel e Bruno Latour em suas colaborações anteriores na ZKM. "Iconoclash" em 2002, "Making Things Public" em 2005, e "Reset Modernity!" em 2016 constituem as três "exposições de pensamento" (Gedankenausstellungen) que resultaram de sua intensa relação de trabalho que já se estende por vinte anos. ZONAS CRÍTICAS é caracterizada por uma extensa colaboração de artistas, designers, cientistas e ativistas. A arte, com todo seu poder imaginativo, especulativo e estético, assume o importante desafio de desenvolver novas formas de representação e opções de ação em uma situação geral que ainda não foi esclarecida. Muitos dos artistas que trabalham neste projeto são originários de países não-ocidentais, ampliando a visão dos modos de pensar europeus, que aprendemos a descrever como modernidade global.









Ciné-Cipó - Cine-Liana: ATTO - Observatório da Torre Alta da Amazônia. 2020, Instalação de vídeo multicanal, aprox. 140 min.

Comissionado para a exposição, o projeto Ciné-Cipó (Cine Liana) na Torre Alta da Amazônia aborda diferentes perspectivas e sistemas de conhecimento, que desafiam a veracidade das suposições universais sobre ciência e sociedade e multiplicam os modos de engajamento, compreensão e vivência dentro da Zona Crítica. O ATTO, ou Observatório da Torre Alta da Amazônia, é um projeto científico internacional que estuda as complexas interações entre a floresta, os solos e a atmosfera, a fim de compreender o papel da bacia amazônica dentro do sistema terrestre. Em seu trabalho em vídeo, Barbara Marcel observa a vida cotidiana dos cientistas do Observatório ATTO e de duas mulheres ativistas locais enquanto colaboram para produzir uma peça de rádio que comunica diferentes formas de conhecimento, visões, mas também ameaças relativas à Amazônia.

Com a colaboração de Natalina do Carmo Oliveira, Milena Raquel Tupinambá. Produzido em colaboração com ZKM | Karlsruhe, Instituto Serrapilheira e Instituto Max Planck de Biogeoquímica Jena, com o apoio do INPA- Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas e do Instituto Goethe São Paulo.

Além da exposição presencial em Karlsruhe, os vídeos do projeto foram parcialmente disponibilizados na exposição online, desenvolvida devido à pandemia. Clique aqui para acessar o projeto na exposição online: https://critical-zones.zkm.de/#!/detail:cine-cipo-cine-liana-atto-amazon-tall-tower-observatory














FLUIDE REALITÄTEN

(Realidades fluidas)
Exposição coletiva no Kunstbrücke am Wildenbruch, parte das Galerias Municipais de Berlim.
Curadoria: Dorothee Bienert, Yolanda Kaddu-Mulindwa, Daniela Nadwornicek, Isabelle Stamm; Parede de posters: Uwe Jonas.
4.9.–31.10.2021

No meio do norte de Neukölln, está sendo criado um local de arte incomum: o Kunstbrücke am Wildenbruch. Nos inusitados espaços do histórico banheiro público no canal em Neukölln, a galeria municipal está lançando uma exposição sobre o tema da água, a base central de toda a vida na Terra. Como os ecossistemas se desenvolvem quando a mudança climática causa transformações no equilíbrio hídrico global? Quais são as conseqüências da intervenção humana nos ciclos naturais e como o equilíbrio pode ser restaurado? Os artistas da exposição lidam com a água como habitat e com suas dimensões sócio-políticas; mas eles também são fascinados pela existência física da água e nos fazem tomar consciência de seus poderes mágicos.

De ecologias, pessoas e sistemas
Caterina Gobbi, Douglas Henderson, Bettina Hutschek, Armin Linke, Barbara Marcel, Sophia Pompéry, Alina Schmuch, Phillip Sulke

De ruídos, relâmpagos e declínio
Felix Kiessling, osa - office for subversive architecture, Raul Walch, Hans Winkler


















BIRDS AND BUOYS

9 de abril - 13 de junho de 2021, em Bärenzwinger Berlin. Exposição dupla com obras de Nadja Abt e Barbara Marcel e curadoria de Isabel Jäger, Katja Kynast, Malte Pieper, Maja Smoszna.

A exposição duo BIRDS AND BUOYS (Aves e Bóias), com obras de Nadja Abt e Barbara Marcel, reúne duas pesquisas artísticas complexas e de longa data, que lidam com a questão do trabalho transatlântico e com a história cultural das navegações e da mineração a partir das perspectivas queer e feminista. Juntas, as produções abordam a arquitetura e a história do Bärenzwinger – construção que sedia a exposição –, bem como de sua vizinhança.

BIRDS AND BUOYS volta-se visivelmente para fora, comunicando-se de forma acústica e visual com o bairro em uma colorida reinterpretação coletiva da edificação do Bärenzwinger. A exposição dialoga ainda com o espaço urbano dos arredores, como o histórico porto fluvial, a Embaixada Brasileira, e a Marinehaus, um antigo clube da marinha imperial. Na parte interior, reflexões íntimas e ensaísticas revelam o poder transformador de queerizar a natureza; espaços estreitos desfazem-se em cenas fantásticas; e histórias, antes ocultas, emergem. Os pássaros e as boias, que dão nome à exposição, se distinguem por sua capacidade de sinalizar algo. O canário, conforme apresentado na obra de Barbara Marcel, é um indício de um ambiente tóxico. Já Nadja Abt emprega boias como figuras que emergem na superfície, e se recusam a serem empurradas para o invisível. Do inglês, os temos “Buoy” (boia) e “Boy” (menino; garoto) são homofônicos e podem ser diferenciados apenas pela grafia. O verbo “to buoy” (boiar) em inglês também significa ser empático; levantar o ânimo de alguém, ajudá-l@. A exposição trabalha precisamente com essas transgressões e diferenças, com este ato de correlacionar-se, propondo: O que pode ser aprendido e desaprendido de paisagens arruinadas pela mineração? Como pode a violenta história das navegações ser reescrita de forma feminista e utópica? Como podemos juntos, parafraseando Ursula LeGuin, navegar a “bombordo da escuridão”?




O que se pode fazer com um buraco no vale? Para onde se pode caminhar quando a terra não mais se sustenta? As paisagens das não-cidades e seus sedutores chamados para a solidão permanecem convincentes em tempos de desintegração urbana? O que pode ser aprendido e desaprendido na topografia aumentada destas paisagens arruinadas? Como caminhar sobre e abaixo de solos tão instáveis? O projeto GOLDEN TONE (Tom Dourado), de Barbara Marcel, origina-se de uma pesquisa sobre a paisagem cultural e histórica do oeste do Harz, região montanhosa da Alemanha, onde muitas das primeiras tecnologias de mineração foram desenvolvidas e então exportadas para o mundo. De forma ensaística, a videoinstalação reflete sobre as interseções entre passado, presente e futuro nesta paisagem antropogênica, por meio dessa história particular de criação, treinamento e comércio de canários na região. Numa videocolagem feita de mãos e máquinas, prata e serinetas, montanhas contaminadas de metais pesados e pinheiros caídos, passeios turísticos e entrevistas íntimas, a icônica paisagem do Harz alemão revela gradualmente a hibridez de suas muitas camadas e abre caminho para um vasto campo de voos sonoros transformadores. GOLDEN TONE é um projeto sobre o canto do canário do Harz, a domesticação das minas e o queerizar da natureza.















A exposição BIRDS AND BUOYS inaugura o programa anual Bricolage e, com ele, uma série de investigações sobre a história e o presente, ainda pouco visibilizados, do Bärenzwinger. Com Bricolage queremos cavar fundo e ir mais longe, retratar as constelações históricas e contemporâneas e descolar suas junções, para, então, reatá-las em um novo arranjo. Seguindo a linha de Donna Haraway, pode-se dizer que estamos dispostos a forjar novos nós materiais-semióticos, assim como as concretas técnicas de nós marítimos também usadas em BIRDS AND BUOYS. Curadoria de Isabel Jäger, Katja Kynast, Malte Pieper, Maja Smoszna.

Outro eventos
28.4. - Paz Guevara em conversa com Nadja Abt, Barbara Marcel, Katja Kynast (Online por Zoom)
02.5. - These Birds of Temptation. Apresentação do livro com Barbara Marcel e K. Verlag (ao ar livre)
20.5. - Visita guiada pelo bairro do Bärenzwinger com Berlin Postkolonial e.V. / Dekoloniale (alemão)
27.5. - Wayfaring Strata. À medida que nos movemos. Audio Walk coreografado por Sonia Fernández Pan com música por Stephen McEvoy
03.6. - Visita guiada pela vizinhança do Bärenzwinger com Berlin Postkolonial e.V. / Dekoloniale (inglês)
13.6. - Bloco Aves e Bóias. Finissage com Nadja Abt, Barbara Marcel e Tom Nóbrega, entre outros.

Mais detalhes sobre a exposição em: https://www.baerenzwinger.berlin/EN/Program/Birds-and-Buoys-EN/

Clique aqui para mais informações sobre o livro THESE BIRDS OF TEMPTATION









SÜDSTELLIUM

20.04.2021-20.05.2021, Berlim. Intervenção artística nos outdoors da estação de metrô U1 Kottbusser Tor (Kreuzberg - Berlim)

O projeto Südstellium foi selecionado pelo Project Funding Friedrichshain-Kreuzberg 2020-21 e apoiado pelo fundo estatal cultural e artístico da cidade de Berlim.

Para o Galery Weekend Berlin, três artistas brasileiros vivendo em Berlim ocuparam outdoors no metrô U1 em colaboração com artistas no Brasil.

Com SÜDSTELLIUM, os artistas Ana Hupe, Barbara Marcel e Matheus Rocha Pitta iniciaram uma potente cooperação com o Brasil e abriram o espaço urbano de Berlim para uma intervenção artística inusitada. O projeto de exposição incluiu intervenções artísticas em três painéis localizados na estação de metrô U1 Kottbusser Tor e começou na Gallery Weekend Berlin. Os artistas Ana Hupe, Barbara Marcel e Matheus Rocha Pitta, que vivem em Berlim, alugaram os painéis da plataforma por 20 dias para entregar mensagens dos céus do sul global que não são tão evidentes a partir de Berlim. Um stellium é uma coleção de estrelas ou corpos celestes; o termo stellium do sul é uma invenção que usa termos da astronomia, astrologia e geopolítica. Como invenção poética, SÜDSTELLIUM é um termo prospectivo e não descritivo: quando olhamos para o céu, projetamos nossas preocupações terrestres sobre ele, por exemplo, atribuindo figuras como constelações.






As colaborações propostas por SÜDSTELLIUM revelam, através da arte, pedaços da situação atual de territórios remotos. A idéia de como a primeira imagem do buraco negro foi captada em abril de 2019 orientou o conceito destes diálogos artísticos. Seis observatórios astronômicos, cada um localizado em um país diferente, foram alinhados e tiraram uma foto cada um de uma parte do buraco negro. Centenas de terabytes foram gerados e trazidos em HDs para um laboratório na Alemanha, onde as peças foram ligadas para formar uma imagem completa deste fenômeno cosmológico. O objeto misterioso descrito por Einstein em 1916 foi tornado acessível pela primeira vez aos nossos olhos. Até então, ele só existia no plano teórico. Dada sua distância da Terra, seria necessário capturar sua imagem com uma lente do mesmo diâmetro que o nosso planeta. Entretanto, através de uma orquestração de sete telescópios ao redor do globo, uma imagem de sua evidência foi finalmente possível. Esta descoberta é tomada pela SÜDSTELLIUM como um paradigma do poder da colaboração e da produção de alianças. Todos olhamos para o mesmo céu, naturalmente usando lentes diferentes, mas ainda temos algo que nos une a todos, horizontes possivelmente comuns.

Clique aqui para ler o artigo sobre o projeto publicado no jornal alemão taz - die Tageszeitung.

















AGROPOETICS

O solo é um corpo inscrito. Sobre Soberania e Agropoéticas (Savvy)

Projeto de pesquisa, performance e exposição com Dina Amro, Archipel Stations Community Radio, Luis Berríos-Negrón, Filipa César com Ahmed Isamaldin e Ali Yass, Binta Diaw, Leone Contini, INLAND, Raphaël Grisey, Mia Harrison, Zayaan Khan, Yen-Chao Lin, Barbara Marcel e Ana Hupe, Julia Mensch, Pedro Neves Marques, Cedric Nunn, Elia Nurvista, Uriel Orlow, Lerato Shadi, Bouba Touré, Hervé Yamguen.

31.08.– 06.10.2019, Berlim




O SOLO É UM CORPO INSCRITO. SOBRE SOBERANIA E AGROPOÉTICAS é um projeto que examina tanto as lutas anticoloniais do passado como os atuais conflitos de terra pelo mundo para resistir à invasividade do neo-agro-colonialismo e sua lógica extrativista. Germina através de uma série de leituras, intervenções e oficinas, e se materializa em uma exposição (30.08.-06.10.2019) e um programa performático/discursivo no SAVVY Contemporary (13.09.-15.09.2019). O projeto busca momentos dispersos, porém conectados, de polinização cruzada entre estratégias artísticas e iniciativas agroecológicas de escalas moleculares a geopolíticas.

Refletimos acerca da devastação das paisagens naturais pelo Estado e pelo capital, bem como acerca das formas de autodeterminação e autonomia realizadas pelas comunidades locais como uma rejeição ao modelo capitalista e colonial de agricultura, engajando-se em uma análise crítica de certas epistemologias técnico-científicas e práticas biopolíticas. Da aldeia das mulheres livres de Jinwar em Rojava ao trabalho de comunidades como a Associação para o Desenvolvimento Integrado da Mulher (ADIM) em Guiné-Bissau e o ativismo agroecológico da aldeia Beni Aïssi no Marrocos, entre outras, estamos aprendendo com essas possibilidades de promulgar práticas agrícolas cooperativas e uma vida comunitária alternativa, de cultivar e construir espaços vivos de emancipação e libertação. E, no entanto, a agricultura também está sendo armada como guardiã da identidade nacional: as relações entre sangue e solo, entre identidade e terra estão sendo essencializadas e feitas de terreno para argumentações xenófobas e construções paranóicas do "outro".

Como as alianças anticoloniais e ambientais podem se alimentar umas às outras? Como podemos manter emaranhados interespécies e futuros polifônicos multidirecionais? Como podemos transformar ruínas, erosões e paisagens danificadas e adotar táticas de precariedade para tornar a vida possível apesar da ruína econômica e ecológica?

O solo é um corpo inscrito, um terreno cicatrizado, uma multidão de organismos que guardam um histórico de erosão. É um recipiente e um espaço de encontro para as coletividades. Este projeto é um campo experimental para o envolvimento artístico com o solo como embarcação, corpo e transportador para futuros especulativos e colaborativos. Exploramos isso através das práticas de artistas como Bouba Touré, Raphaël Grisey, Julia Mensch, Filipa César e Inland, que estão trabalhando diretamente com iniciativas agroecológicas envolvidas em lutas pela soberania da terra em Mali, Argentina, Guiné-Bissau e Espanha. Elia Nurvista, Pedro Neves Marques e Uriel Orlow estão trabalhando em complexos corpos de trabalho e pesquisa em torno dos padrões extrativistas e violentos do neocolonialismo e da xenofobia criados em torno das práticas agrícolas e migrações de plantas, enquanto Barbara Marcel e Ana Hupe apontam para tecnologias indígenas que desafiam estas práticas.











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