12 PASSOS E UM BURACO NO VALE

2018, Clausthal-Zellerfeld, Harz. Workshop iniciado por Bárbara Marcel, em colaboração com Andreas Döpke.


Não precisamos ver nada além do ordinário, já vemos tanto. — Robert Walser, “O Passeio”

[O que fazer com um buraco no vale? Por onde divagar quando a terra não mais te sustenta? A paisagem das não-cidades e seus sedutores chamados por solitude ainda nos atraem em tempos de gentrificações urbanas? Como os moradores da cidade podem evitar os riscos de escapismo enquanto atendem ao real desafio da ruptura metabólica rural-urbana? Em que espaços podemos conceber e criar futuros responsáveis e comuns, que superam as falsas dicotomias entre natureza-cultura e rural-urbano? Como vagar por solos tão instáveis?]

O workshop de um dia, comissionado pela Universidade de Hildesheim, foi criado pela artista Barbara Marcel em colaboração com o geógrafo Andreas Döpke, com o objetivo de reunir estudantes de disciplinas variadas, como estudos culturais, filosofia, geografia e artes cênicas, na paisagem histórica e cultural em uma das mais antigas regiões de mineração da Alemanha. Através de uma combinação de caminhadas-experimentos coletivos e individuais, a região do oeste do Harz [ao mesmo tempo uma reserva ambiental e patrimônio cultural da Unesco] é transformada em uma estação temporária de imaginação colaborativa sobre possíveis paisagens futuras.





































SITUATED KNOWLEDGES, GLOBAL ECOLOGIES

2-4.09.2019 em NGBK e Prinzessinnengarten Berlin.

CONHECIMENTO SITUADO / ECOLOGIAS GLOBAIS: Um Walkshop Ramble Colaborativo foi um projeto de três dias sobre justiça sócio-ecológica, iniciado pela artista Barbara Marcel e pela jornalista Camila Nóbrega, que aconteceu entre 2 e 4 de setembro no espaço Prinzessinnengarten, em Berlim. O projeto reuniu cientistas e bolsistas da Fundação Heinrich-Böll com ativistas ambientais, jornalistas e artistas, para um formato experimental de intercâmbio de conhecimentos. Os principais temas foram orientados por diferentes entendimentos do que tem sido chamado de ecologia e da dinâmica global de produção de conhecimento e narrativas sobre os territórios, buscando visões decoloniais e antipatriarcais.

Como um debate de encerramento em colaboração com o projeto "Licht Luft Scheiße. Perspektiven auf Ökologie und Moderne", o diálogo foi aberto ao público, com a participação dos participantes do workshop e a presença da agricultora e pesquisadora urbana brasileira Sílvia Baptista, líder representativa da luta pelos direitos da terra no Brasil. O debate foi mediado por Barbara Marcel e Camila Nóbrega, focalizando as narrativas em curso sobre os conflitos sócio-ambientais no Brasil e a situação de luta dos diversos movimentos sociais e povos da floresta, não só pelo direito à terra, mas pelo direito à subsistência, a práticas comunitárias e a imaginários comuns. De uma perspectiva local-global e refletindo sobre o que foi produzido ao longo do workshop, o objetivo foi discutir as assimetrias relacionadas ao direito à terra e, simultaneamente, à produção de discursos. O papel do patriarcado e da colonialidade na organização de órgãos e territórios esteve no centro da discussão.

































Vídeo-documentação do debate de encerramento:





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