BLUE CANARY

2021, Berlim / Clausthal-Zellerfeld, Harz. Ensaio original escrito em colaboração com o geógrafo Andreas Döpke, a ser publicado no livro THESE BIRDS OF TEMPTATION, como parte da série "intercalations 6", co-publicado pela K Verlag e pela Haus der Kulturen der Welt, Berlin.

O projeto GOLDEN TONE origina-se de uma pesquisa sobre a paisagem cultural e histórica do oeste do Harz, região montanhosa da Alemanha, onde muitas das primeiras tecnologias de mineração foram desenvolvidas e então exportadas para o mundo. De forma ensaística, a videoinstalação reflete sobre as interseções entre passado, presente e futuro nesta paisagem antropogênica, por meio dessa história particular de criação, treinamento e comércio de pássaros canários na região.

"...um refrão queer, povoado com linhas acústicas de voos e a dor do cativeiro, em que o leitor-expectador aprende que a ciência da ornitologia está tão preocupada com os flertes e o pentear das penas da avifauna quanto com sua dominação taxonômica."

THESE BIRDS OF TEMPTATION. Com contribuições de Ari Bayuaji, Bik Van der Pol, David Bonter, Bertolt Brecht, Lêna Bùi, Mark Dion, Andreas Döpke & Barbara Marcel, Anne Geene & Arjan de Nooy, Sophia Gräfe, Mary Ellen Hannibal, Lisa Hirmer, Nina Katchadourian, Anna-Katharina Laboissiere, Anaïs Nin, Megan Shaw Prelinger, Bruno Schulz, Anna-Sophie Springer, Frank Steinheimer, Anna Tsing, Etienne Turpin, entre outros.

Clique aqui para mais informações sobre o livro THESE BIRDS OF TEMPTATION




O ensaio foi também desenvolvido em uma videoinstalação de 4 canais (aprox. 120min) chamada GOLDEN TONE. Numa videocolagem feita de mãos e máquinas, prata e serinetas, montanhas contaminadas de metais pesados e pinheiros caídos, passeios turísticos e entrevistas íntimas, a icônica paisagem do Harz alemão revela gradualmente a hibridez de suas muitas camadas e abre caminho para um vasto campo de voos sonoros transformadores. GOLDEN TONE é um projeto sobre o canto do canário do Harz, a domesticação das minas e o queerizar da natureza.

Clique aqui para mais informações sobre o projeto GOLDEN TONE.


A instalação em vídeo fez parte recentemente da exposição BIRDS & BUOYS no Bärenzwinger Berlin, entre abril e junho de 2021.


Clique aqui para mais informações sobre a exposição BIRDS & BUOYS.




FIRE, FAÍSCA, FUNKE

Vernissage: 25.05.2019, 7pm

Datas da exposição: 26.05 - 16.06, Quintas, sextas, sábados e por agendamento.

A exposição reuniu trabalhos de Marina Camargo, Ana Hupe e Barbara Marcel, artistas brasileiras residentes de Berlim. Suas pesquisas refletem sobre a gravitação da ideia de centro, partindo do hemisfério sul: relações de poder elucidadas em cartografias; monoculturas extensivas; arquivos coloniais; e sincretismos religiosos no Brasil hoje. A mandioca como ponto de encontro entre culturas basileiras e africanas na Europa é celebrada num trabalho coletivo com a participação de Senegambia, um restaurante do oeste africano, localizado na mesma rua que a Galeria Mario Kreuzberg. A colaboração foi exibida em forma de vídeo, que documenta a troca de receitas feitas com mandioca, preparadas coletivamente na cozinha do Senegambia.

Cartografia como estudo de narrativas de espaço e relações de poder permeia o trabalho de Marina Camargo. Cartografia expandida para além de sua função original, sendo transformada em outras narrativas visuais que questionam os dados objetivos que formam os mapas. A representação do hemisfério sul aparece na ação de apagamento de um mapa escolar do Brasil, que mostra regiões de exploração extrativista, além de um trabalho de som construído a partir das fronteiras políticas da América do Sul.

Ana Hupe apresentou três trabalhos sobre o universo da santería, religião afrocubana com origem yorubá. O sincretismo, que acontece quando os credos ocultos de duas regiões ou tradições religiosas se misturam, é o conceito guia dos trabalhos.

O porto de Santarém (Pará-BR), dominado pela multinacional Cargill desde 2003, é o tema do trabalho 'BR 163 Cuiabá-Santarém' por Barbara Marcel. A embalagem dos produtos utilizados no processamento da soja, ressignificados em sacolas de mercado para farinha de mandioca, são agrupados numa instalação.

A Galeria Mario Kreuzberg é um project space organizado por Manuela Morales (Chile) e Santiago Mac Auliffe (Argentina) desde 2015, na Reichenbergerstrasse 48 desde julho de 2018, focado em arte latinoamericana.





THE ENDOTIC READER N.1

2019, Reader com contribuições dos participantes recebidos no TIER - The Institute for Endotic Research. Participantes: Linda Zhang, Nelly Y. Pinkrah, Vanessa Gravenor, Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, Repec Segroeg, Lorenzo Sandoval, Barbara Marcel, Biko Mandela Gray, John Holten, Louis Henderson, Pia Chakraverti-Wuerthwein, Benjamin Busch, Ayami Awazuhara.

O endótico é uma ferramenta sutil, mas poderosa para gerar uma prática situada de uma instituição. É sutil porque olha para o imperceptível da vida cotidiana, para os detalhes visíveis, mas escondidos, do espaço e dos gestos dos corpos ao nosso redor. Ele resgata o espanto do óbvio esquecido, aprisionado por sua naturalização. É uma ferramenta poderosa, porque nos leva a ler e ouvir o que nos rodeia, sempre olhando a partir de posições inexploradas. A partir desta exibição imanente, aquilo que é local traça um limiar inestimável a partir do qual podemos nos aproximar do complexo global. Em sua conhecida metodologia, Oulipo - o grupo ao qual Georges Perec pertencia - foi um grande pioneiro em cruzar campos de conhecimento a fim de praticar um fascínio crítico. Eles desenvolveram um sistema no qual as restrições eram uma força motriz eficiente, fundindo matemática, literatura e posições artísticas. Estas restrições podem ser traduzidas da escrita à prática cultural para pensar em design espacial, financiamento ou formas de cooperação, procurando por práticas mais sustentáveis.

Para celebrar o primeiro ano do TIER na Donaustrasse 84 em Berlim-Neukölln, publicamos o primeiro reader sobre o tema do endótico, The Endotic Reader N.1. Ele reúne contribuições de alguns dos participantes que recebemos ao longo do ano, assim como pessoas que esperamos convidar para o espaço. As contribuições exploram alguns dos caminhos que a palavra perecquiana oferece, como forma de abordar o território de complexidade em que vivemos e pelo qual passamos. Os temas explorados no reader vão desde uma meditação sobre a prática de desoutrização até uma reflexão sobre o trauma e pensamentos sobre o futuro da leitura.

Este reader comemorativo, disponível tanto digitalmente quanto em forma física em edição limitada, feita à mão, é um dos primeiros resultados da colaboração do TIER com ON/OFF, cuja máquina Risograph, parte da Guerrilla Printing Press, estamos hospedando no espaço.

Clique aqui para ler mais sobre a contribuição de Barbara Marcel: SEVEN CROSSROADS: A Berlin walkshop ramble.

—> Download The Endotic Reader N.1











O JARDINEIRO, O SERINGUEIRO E A HERBALISTA

2017-19, Santarém - Brasil / Berlim - Alemanha. Vídeo, cor, audio, aprox. 20 min., formato Full HD. Além do video, ainda em processo de finalização, o projeto conta com uma lecture-performance e um ensaio publicado.

Ensaio original, publicado no final de 2018 para o livro "THE WORK OF WIND: LAND" [O Trabalho Do Vento: Terra]. Com contribuições de Rouzbeh Akhbari & Felix Kalmenson, d’bi.young anitafrika, Amy Balkin, Jesse Birch, D.T. Cochrane, Revital Cohen & Tuur Van Balen, Anna Feigenbaum, Macarena Gómez-Barris, Ilana Halperin, Tom Keefer, Barbara Marcel, Mimi Onuoha, Tomás Saraceno, Christine Shaw, Juliana Spahr, Adrienne Telford, Etienne Turpin, Allen S. Weiss, Tania Willard, e Eva Wilson. Design de Katharina Tauer. Edição de Christine Shaw & Etienne Turpin. Co-publicado por K. Verlag em parceria com a Universidade de Toronto Mississauga. Parcialmente financiado pelo programa New Chapter do Canada Council for the Arts.

O ensaio O JARDINEIRO, O SERINGUEIRO E A HERBALISTA responde ao Force 3–Gentle Breeze com uma história que mistura uma narrativa pessoal, a história do cinema e uma plantação de borracha, conectando os salões de Paris com a Floresta Amazônica. No texto, escrito em antecipação ao filme que viria, Marcel revela outros modos decoloniais de habitar a floresta através de seu trabalho com as herbalistas da Casa Chico Mendes, na cidade de Santarém.

Clique aqui para mais informações sobre o livro THE WORK OF WIND: LAND


A lecture-performance de mesmo título foi apresentada para o programa discursivo entitulado "How on Earth?", como parte da exposição "Verschwindende Vermächtnisse: Die Welt als Wald" [Legados Desaparecendo: O Mundo Como Floresta] no Tieranatomisches Theater, na Universidade de Humboldt, em Berlim, em abril de 2018.

Filmado entre o fim de 2017 e o começo de 2018, durante a residência na Casa Bicho em Alter do Chão - Santarém, no Pará, em colaboração com as herbalistas da Casa de Chico Mendes, no bairro da Conquista, periferia de Santarém, o filme está agora em fase de finalização.







THE EVER-GARDEN EFFECT: PUBLICAÇÃO

2017, Atenas. Publicação de 3 Páginas A0.
Dimensões: 290 x 85 mm.
Idioma: Inglês.
Formato: folhas soltas dobradas em tamanho A3.
Impressão Offset.


THE EVER-GARDEN EFFECT é um projeto iniciado por Barbara Marcel em colaboração com o coletivo grego de artistas Campus Novel Collective, como parte da OMONOIA Bienal de Atenas, no verão de 2016. Basada na proposta da Bienal de desenvolver trabalhos sinérgicos, a intenção do projeto era de reformular a ideia de jardins urbanos, com foco particularmente no Jardim Nacional de Atenas e suas possíveis diferenças com outros espaços verdes da cidade, como os jardins comunais e varandas privadas.

Tomando o Jardim como arquivo histórico e botânico a céu aberto, uma oficina de cinco dias organizada pelos artistas procurou primeiramente refletir sobre o caráter institucional do Jardim Nacional como um cenário típico do estado moderno europeu e seu status atual de paisagem para a urbanização da história da cidade. Num segundo momento, a pesquisa de campo tenta observar outras instâncias de jardinagem na cidade de Atenas, refletindo sobre os diversos usos e funções de espaços de jardim urbano contemporâneos. Os 12 participantes da oficina foram convidados a trabalhar em exercícios de escrita, texto e performances, que resultaram numa colagem processual extensa, na forma de filme e publicação.

Participantes: Christina Axioti, Alexis Fidetzis, Matthias Fritsch, Nicolas Juge Pampanos, Katerina Kotsala, Maria Papapostolou, Sofia Touboura, Athina Zachou e Érica Zíngano.

A publicação foi projetada por Barbara Marcel e o coletivo Campus Novel Collective, e contém textos e imagens sobre os processos vividos no workshop, incluindo um glossário, entrevistas, histórias escritas e imagens feitas por ambos artistas e participantes. A impressão foi feita com suporte do "Fundo para jovens artistas" da FRAUENFOND BAUHAUS UNIVERSITY WEIMAR e apresentada durante a exposição coletiva "Platforms Projects 2017" em Atenas.





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